Três histórias que mostram como a medicina transforma vidas

Em poucos meses, uma paciente perdeu a fala, os movimentos dos braços, das pernas e até a capacidade de abrir os olhos. Embora permanecesse consciente, já não conseguia responder aos estímulos do próprio corpo. O diagnóstico era raro e mudaria completamente o rumo do tratamento.
O caso de Desirée Lima de Almeida é um dos episódios que ilustram como a evolução da medicina vem ampliando as possibilidades de diagnóstico, tratamento e recuperação de pacientes. Assim como ela, um bebê nascido com apenas 25 semanas de gestação e um procedimento cirúrgico desenvolvido no Espírito Santo ajudam a contar parte dessa transformação.
As três histórias fazem parte da trajetória do Hospital Vitória Apart, que completa 25 anos neste mês.
O diagnóstico que mudou tudo
Quando Desirée chegou ao hospital, apresentava um quadro que desafiava a equipe médica. A infectologista Polyana Gitirana identificou que a paciente sofria de botulismo, doença rara que havia provocado a síndrome do encarceramento, condição em que a pessoa permanece consciente, mas perde a capacidade de falar e de movimentar praticamente todo o corpo.
O diagnóstico permitiu o início do tratamento e abriu caminho para a recuperação. “Foi um período de muita provação. Para ela, deitada numa cama, inerte. Para mim, correndo uma corrida de obstáculos para garantir o tratamento e a condução clínica que desse a chance de ela voltar a ser quem era. Quando ela perdeu a voz, precisei aprender a escutar o seu silêncio. Quando recuperou os primeiros movimentos, precisei ensiná-la a respirar. Mais do que um diagnóstico raro, ela se tornou a razão de acreditar, ainda mais, na força da Medicina que escuta, toca e acolhe sempre. Por fim, ela voltou a viver depois de meses paralisada. E eu aprendi, para sempre, o verdadeiro significado de cuidar”, define Polyana.
Hoje, Desirée resume aquele período como um recomeço.
“Mais do que uma mudança de vida, vivi um renascimento. As dificuldades não ficaram como um trauma, mas como uma experiência que me ensinou o valor do cuidado, do carinho e da dedicação de cada profissional que esteve ao meu lado. A recuperação exigiu resiliência e me fez aprender a viver um dia de cada vez. Hoje sigo cuidando da minha saúde, superando desafios e encontrando na fé e na vontade de viver a motivação para seguir em frente”, avalia.
Um bebê que desafiou as estatísticas
Guilherme Batistella nasceu com apenas 25 semanas de gestação e permaneceu internado durante 201 dias na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, em 2005.
Hoje universitário, ele lembra que sobreviveu graças ao trabalho da equipe que o acompanhou desde os primeiros minutos de vida. “Tive duas paradas cardiorrespiratórias logo após o nascimento. Se não fosse a equipe que cuidou de mim, eu não estaria aqui hoje. É preciso acreditar e seguir um dia de cada vez. Conheço a minha história, sei de onde vim e sou muito feliz”, conta.
A enfermeira Cristiane Rosa acompanhou toda essa trajetória desde seu primeiro plantão no hospital. “Minha história no hospital começou junto com a do Guilherme. Ele nasceu no meu primeiro plantão e acompanhei cada conquista durante os seis meses em que permaneceu na UTI Neonatal. Hoje, ao olhar para trás, sinto uma profunda gratidão por ter feito parte dessa trajetória. Foi uma história que me marcou, transformou para sempre a minha forma de cuidar e reforçou a certeza de que cuidar vai muito além da assistência. São histórias como essa que dão sentido à nossa profissão e mostram que o cuidado permanece muito tempo depois da alta”, recorda.
Uma técnica criada no Espírito Santo
Em 2007, o cirurgião da mão Leandro Figueiredo desenvolveu, no Hospital, a “Técnica de Figueiredo”, voltada ao tratamento de feridas complexas que passou a ser utilizada por médicos de diferentes estados brasileiros e também do exterior.
O procedimento substitui, em muitos casos, a retirada de pele saudável de outra região do corpo pelo uso de uma prótese de polipropileno, favorecendo a regeneração do tecido. “A técnica mudou a forma de tratar feridas porque passou a aproveitar o potencial de regeneração do próprio organismo. Em vez de retirar tecido saudável de outra região do corpo, utilizamos uma prótese de polipropileno que protege a lesão e permite que o exsudato — líquido produzido naturalmente pela ferida — ajude na cicatrização. Hoje conseguimos tratar desde feridas agudas e crônicas até casos de pé diabético, osteomielite e lesões vasculares, reduzindo significativamente a necessidade de amputações”, destaca o cirurgião.
Hoje, o trabalho também é desenvolvido ao lado do filho, o ortopedista Pedro Figueiredo. Sempre acompanhei a rotina do meu pai e foi ali que nasceu minha vontade de ser ortopedista.”
Histórias que explicam um legado
Ao longo de 25 anos, o Hospital Vitória Apart ampliou sua estrutura, incorporou novas tecnologias e conquistou certificações nacionais e internacionais em qualidade e segurança do paciente. No entanto, são histórias como a de Desirée, Guilherme e dos profissionais envolvidos nesses atendimentos que ajudam a traduzir, na prática, como a evolução da medicina impacta a vida das pessoas.
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