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Reforma tributária entra no radar dos produtores rurais capixabas

Reforma tributária entra no radar dos produtores rurais capixabas

A reforma tributária ainda nem começou a valer, mas já vem mudando a rotina de muitos produtores rurais. A partir de janeiro de 2026, o Brasil inicia a transição para o novo modelo de tributação e, no campo, a palavra da vez é preparação.

No Espírito Santo, produtores estão se organizando para lidar com mudanças que vão além das alíquotas. O novo sistema exige adaptação nos processos, na tecnologia e, principalmente, na forma de gerir o negócio rural. Sai de cena a apuração anual e entra um controle mensal de créditos e débitos dos novos tributos (IBS e CBS) o que demanda sistemas mais eficientes, emissão correta de documentos fiscais e acompanhamento constante da contabilidade.

Produtores com receita anual de até R$ 3,6 milhões passam a ser enquadrados como não contribuintes do IBS e da CBS, ficando fora da incidência direta dos novos tributos. Ainda assim, podem optar pelo regime regular, caso seja mais vantajoso, uma decisão que não é automática e exige análise contábil cuidadosa, caso a caso. Já quem ultrapassa esse faturamento passa a ser considerado contribuinte, o que muda completamente a lógica do planejamento tributário no campo.

Outro ponto que chama a atenção é a redução de 60% na alíquota do IBS e da CBS para diversos produtos agropecuários e itens da cesta básica. Um alívio importante, mas que só se transforma em benefício real para quem estiver organizado e com os números bem controlados.

Na Fazenda São Pedro, em Linhares, a rotina começa cedo. A lida é pesada, como sempre, mas nos últimos meses um ponto chama a atenção como a incerteza sobre os impactos da reforma tributária.

“A gente tem se preocupado com a produção e com essa mudança da reforma tributária”, conta a produtora rural Wilza Bianchini.

A propriedade, que há mais de 30 anos atua na pecuária de corte, decidiu diversificar e investir também no café. O projeto exigia altos investimentos em plantio, galpão, secador, tratores, máquinas e moradia para colaboradores. A primeira colheita está prevista para a próxima safra.

“A gente trata a propriedade como um negócio”, explica Wilza. Formada em administração e com experiência no comércio, ela decidiu ir para o campo para ajudar na gestão. “Hoje anotamos tudo: custos, investimentos, planejamento. E temos novos projetos para o ano que vem, inclusive ampliar a área de café.”

Mas, junto com os planos de crescimento, veio a necessidade de olhar com ainda mais atenção para a tributação. Para entender melhor esse novo cenário, produtores têm buscado apoio técnico. Escritórios de contabilidade especializados no agro já sentem o aumento da procura por orientação.

Segundo Izabella Tessarolo, diretora financeira da Tess Contabilidade, a reforma muda a forma como o produtor rural é tratado pelo sistema tributário. “O produtor continua sendo pessoa física ou jurídica, isso não muda. O que muda é o tratamento em relação ao faturamento. Com a reforma, ele passa a ser classificado como contribuinte ou não contribuinte dos novos tributos.”

De acordo com ela, produtores que faturam até R$ 3,6 milhões por ano são considerados não contribuintes. Acima desse valor, passam a ser contribuintes, o que representa uma mudança profunda em relação ao modelo anterior. “Antes, o produtor se preocupava basicamente com o imposto de renda, uma vez por ano. Agora, ele precisa olhar mensalmente para compras, vendas, créditos e débitos.”

Com mais de 45 anos de atuação, a Tess Contabilidade acompanha de perto essa transição e observa que muitos produtores ainda operam de forma informal ou sem uma contabilidade estruturada. Com a nova legislação, esse modelo tende a perder espaço.

“Com a reforma, o produtor vai precisar entender melhor o negócio, a logística, as compras e as vendas para não pagar mais imposto do que deveria”, alerta Izabella.

A reforma tributária ainda gera muitas dúvidas no campo, mas uma coisa já é consenso entre os produtores: quem se planejar agora sai na frente. Organização financeira, gestão profissional e informação passam a ser ferramentas tão importantes quanto qualquer tecnologia no campo.

“A reforma não impacta só o imposto em si. Ela impacta toda a cadeia do agronegócio”, destaca a contadora. “Quem entender o próprio negócio e se organizar vai conseguir se beneficiar e ganhar competitividade.”

Para Wilza, a mudança assusta, mas não paralisa. “Agora a gente anota tudo, custo por custo, estuda o assunto todos os dias, planeja. A única certeza que temos é que não vamos parar de produzir.”

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