Miopia dispara entre crianças e preocupa oftalmologistas; entenda
A miopia, antes vista como um simples problema de visão corrigido com óculos, tornou-se um fenômeno global de saúde pública. O aumento expressivo de casos nas últimas décadas acende o alerta entre oftalmologistas, que descrevem o cenário atual como uma verdadeira “epidemia silenciosa”.
Crianças e adolescentes são os mais afetados, impulsionados pelo uso crescente de telas, pela falta de exposição à luz natural e por mudanças no estilo de vida contemporâneo.
Dados internacionais mostram que os números dobraram desde os anos 2000 e continuam subindo de forma contínua. No Brasil, consultórios registram cada vez mais crianças de 5 a 10 anos já apresentando miopia inicial, algo incomum há 20 anos.
“A infância de hoje acontece dentro de casa e diante de telas. Isso altera o desenvolvimento visual e favorece o alongamento do globo ocular, que gera a miopia”, explicam especialistas. Estudos apontam que o tempo ao ar livre — especialmente em ambientes com luz natural — é um dos principais fatores de proteção, pois estimula mecanismos naturais que impedem o crescimento excessivo do olho.
A pandemia acelerou ainda mais esse quadro. Aulas online, lazer digital e isolamento reduziram drasticamente o tempo das crianças fora de ambientes fechados. Mesmo após o retorno das atividades presenciais, muitos hábitos permaneceram. O resultado é uma geração que pisca menos, passa horas focada em curta distância e raramente brinca ao ar livre, condições ideais para o surgimento e progressão da miopia. “Estamos vendo miopias que evoluem rapidamente, exigindo trocas de óculos a cada seis meses”.
Os impactos da miopia e como retardar a progressão
O impacto vai além da necessidade de óculos. Miopias altas — acima de 5 graus — aumentam o risco de doenças sérias como descolamento de retina, glaucoma e degeneração macular miópica, podendo comprometer a visão de forma irreversível na vida adulta. Por isso, a prevenção e o controle precoce são essenciais.
Hoje, existem estratégias eficazes para retardar a progressão, como colírios de atropina em baixa concentração, lentes de contato especiais para controle da miopia e óculos com tecnologia de defocus. A orientação profissional adequada pode fazer diferença no desenvolvimento visual das crianças.
LEIA TAMBÉM | Desidratação: o perigo silencioso do verão
Para os especialistas, o caminho para frear a epidemia passa por conscientização familiar, políticas públicas e orientação escolar. Recomenda-se que crianças passem ao menos duas horas por dia ao ar livre, façam pausas regulares ao usar telas e realizem consultas de rotina com o oftalmologista. “A miopia não é apenas uma questão de óculos; é uma condição que precisa ser acompanhada com atenção desde a infância”. Em meio a um mundo cada vez mais digital, proteger a visão das novas gerações torna-se um desafio urgente para a saúde pública global.
Leia a notícia completa no G1: Clique aqui










