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Espírito Santo sanciona lei que proíbe pesca com traineiras até 12 milhas da costa

Espírito Santo sanciona lei que proíbe pesca com traineiras até 12 milhas da costa

Foi sancionada no Espírito Santo a lei que proíbe a pesca de cerco com embarcações do tipo traineira nas 12 milhas náuticas do litoral capixaba. A mudança busca organizar melhor a atividade pesqueira no estado e proteger quem vive da pesca artesanal, garantindo o sustento de centenas de famílias das comunidades litorâneas.

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A proposta não surgiu do nada: ela foi construída com base em estudos técnicos e contou com a participação de diferentes órgãos ambientais, instituições científicas e setores ligados à pesca. Entre eles, estão a Seama, a Seag, o Iema, a Ufes, o ICMBio e o Ibama.

O governador Renato Casagrande destaca o impacto da medida para quem depende do mar. Segundo ele, o pedido era antigo dos pescadores e tem relação direta com a reprodução das espécies e a desigualdade na captura.

“Quando vocês estão pescando e gerando renda para suas famílias, isso também nos motiva a levar o Espírito Santo para frente. Governamos para todos os capixabas, e receber os pescadores no Palácio Anchieta demonstra esse compromisso. Essa era uma demanda antiga da categoria, pois as embarcações que utilizam esse tipo de pesca predatória comprometem o ciclo de crescimento, desenvolvimento e reprodução das espécies. Assim, protegemos também o pescador artesanal, que muitas vezes encontra dificuldades para garantir pescado suficiente e sustentar suas famílias”, comentou o governador Renato Casagrande.

Os estudos que embasaram a lei mostram o tamanho dessa diferença. Uma única traineira pode capturar, em um único dia, o equivalente ao esforço de dezenas de barcos artesanais. E essa desproporção tem gerado conflitos, já que os pescadores artesanais dependem diretamente dos estoques pesqueiros costeiros para garantir renda, alimento e manter seu modo de vida.

Impacto da lei e a frota capixaba

Mesmo com poucas embarcações atuando no Espírito Santo, foram apenas cinco traineiras entre 2021 e 2024, o impacto foi significativo. A frota capixaba é formada por cerca de 800 barcos, em sua maioria artesanais, mas os dados de monitoramento mostram que essas poucas traineiras conseguiram capturar volumes maiores do que toda a frota artesanal somada.

Felipe Rigoni, secretário de Meio Ambiente, a lei representa um avanço importante para quem vive da pesca. “Essa medida garante que a pesca continue existindo como fonte de trabalho e renda. Proteger o peixe hoje é garantir emprego, alimento e dignidade para as comunidades pesqueiras amanhã”, destacou.

A fiscalização também já está prevista. Ela será feita de forma integrada e com tecnologia de rastreamento por satélite, por meio do Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras (PREPS). Ibama, Polícia Militar Ambiental e Iema vão atuar juntos para monitorar as embarcações e identificar irregularidades com segurança e precisão.

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