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Ataque em Aracruz completa um mês e sobreviventes falam sobre recuperação: ‘Nosso renascimento’

Um mês após o atentado, sobreviventes tentam se reestabelecer física e emocionalmente e aproveitam o Natal para deixar mensagem de esperança e fé.

Escola Primo Bitti, em Aracruz, reformada após o ataque — Foto: Sedu/Divulgação

Neste ano, além do Natal, o dia 25 de dezembro ganhou significado diferente para os sobreviventes do ataque a escolas deAracruz, no Norte do Espírito Santo. Nesta data o atentado que matou quatro pessoas e deixou mais de 10 feridas completa um mês.

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Em meio às felicitações típicas da época, os professores baleados tentam compreender a realidade após o ataque e se adaptar ao novo momento da vida de cada um deles.

Og1conversou com alguns docentes da Escola Estadual Primo Bitti, a primeira instituição a ser atacada na manhã do dia 25 de novembro.

No atentado, 13 pessoas foram baleadas, 10 delas professores. Três professoras morreram. Dos três alunos que foram baleados, uma menina morreu. Os outros três feridos no ataque, ente eles uma aluna que quebrou a perna, se machucaram em decorrência da confusão para fugir do assassino.

Sobrevivente do atentado, a professora de História Regina Guimarães, de 58 anos, disse que teve a vida transformada.A educadora foi atingida por sete tiros, ficou uma semana internada. Apesar da alta hospitalar, a educadora continua em recuperação.

Atualmente, Regina está acamada e sem poder praticar esportes como fazia antes do atentado. Para a educadora, o Natal vai ser diferente dos últimos 20 anos.

“Meu Natal se dividiu em dois; no dia 24 com o meu afilhado e a mãe dele, fazendo amigo-x, uma ceia com a mesa cheia, orações, música e comilança. E no dia 25 a minha família se reunia e ficava com eles. Não vou poder estar com eles”, disse.

Professora Sandra Regina Guimarães, 58 anos. — Foto: Reprodução/Sedu

Além de estar em recuperação do atentado, Regina disse que outras duas perdas fizeram com que o Natal da família mudasse.

“Minha mãe faleceu há seis meses e minha irmã três dias antes do ataque. Já ia ser triste porque não temos ela neste ano”, falou.

Apesar das perdas, a educadora, que hoje está na casa de outra irmã, comemora por estar viva após a tragédia.

“Foram sete tiros. Pra sobreviver, eu tive que ter esperança. E, agora, espero recuperar aos poucos e voltar a andar. No fundo, é um Natal de alegria. Meus entes queridos, meus amigos, estão felizes. E eu na esperança de voltar de melhorar e voltar a andar, a pedalar, a fazer minha corrida”, disse.

Professora Aristênia, uma das sobreviventes do ataque em Aracruz — Foto: Arquivo pessoal

A professora de Língua Portuguesa da Escola Estadual Primo Bitti Aristênia Torres Mancini, de 51 anos, também é uma das sobreviventes. Aeducadora levou seis tirose ainda está internada no Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, localizado na Serra, Grande Vitória.

Segundo a educadora, o Natal vai ser vivo com o real sentido da data, renascimento.

“Para mim, é um Natal que vai ser de agradecimento, um natal de, apesar todo o sofrimento, um natal de extremo agradecimento à vida, a oportunidade que Deus nos deu de sobreviver. Eu estava conversando hoje com minha amiga e falei com ela que, às vezes, o natal perde um pouco o sentido, porque as pessoas querem comprar presente. Mas natal é o nascimento de Cristo, e o nosso renascimento”, disse Aristênia.

Segundo a professora, no futuro ela quer convidar os colegas de trabalho a comemorar um novo aniversário no dia do ataque.

“Deus no deu um nova data de aniversário, 25 de novembro. Falei com os professores que, no momento oportuno, a gente comemore essa nova data de aniversário, um aniversário coletivo”, comentou.

Como no Natal as pessoas sempre fazem pedidos, a educadora não hesitou em fazer também.

“Se pudesse pedir algo, pediria que o ser humano se tornasse realmente humano e valorizasse a vida, que é o bem maior. Todas as vidas importam, independentemente de cor, raça, classe social, tudo. E pediria que a humanidade se volte para o ser humano, e que se torne humano”, disse a professora.

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O professor de Filosofia, Luiz Carlos Simora, Gomes, de 51 anos, ajudou a socorrer às vítimas do ataque às escolas em Aracruz, no Espírito Santo. — Foto: Arquivo pessoal

Para o professor de Filosofia Luiz Carlos Simora, de 51 anos,que ficou frente a frente com o atirador, a data jamais será esquecida pelos docentes.

Luiz não foi baleado, mas foi uma das primeiras pessoas a socorrer as colegas de trabalho.

“Dia 25 é uma data que nunca vai ser esquecida, é uma data de renascimento e oportunidade que Deus me deu. Essa data sempre vai mexer com a gente, ainda mais para quem estava ali no olho do furacão”, disse.

O educador disse que a palavra de ordem após um mês do atentado é “gratidão”.

”Torço muito para que 2023 seja de muito amor e muita paz pra gente, pra todos os alunos e as famílias, e que Deus continue nos capacitando pra continuar levando educação pra todos que precisam. Porque só com ela e com o amor o mundo pode ser transformado”, disse Luiz.

Professora de Química, Bárbara Arrigoni, sobreviveu ao ataque. — Foto: Reprodução

Nas redes sociais, a professora de química Bárbara Melodia Arrigoni, de 37 anos, que foi baleada com dois tiros no braço,relembrou o atentado quie tirou a vida de três colegasque trabalhavam na Primo Bitti, a professora de Alfabetização Maria Penha Pereira de Melo Banhos, 48 anos, a professora de Matemática, Cybelle Passos Bezerra, de 45 anos, e a professora de Sociologia Flávia Amoss Merçon.

“A saudade aumenta todos os dias, temos amigas que não mais receberão mais o nosso abraço, mas aqui vai ter lembrança diária. Cybelle, Flávia e Penha, ter vocês foi um presente na minha vida”, escreveu a professora.

Selena Sagrillo, Maria da Penha Banhos, Cybelle Bezerra e Flavia Amos, vítimas do ataque a escolas em Aracruz — Foto: Reprodução/TV Gazeta

No dia 25 de novembro, oataque a duas escolas em Aracruz, no Espírito Santo, deixou quatro mortos e 12 feridos.

O assassino, de 16 anos, estudou até junho no colégio estadual atacado, segundo o governador do estado, Renato Casagrande. A investigação apontou que o ataque foi planejado por dois anos e que o criminosousou duas armas do pai, um policial militar.

Os disparos aconteceram por volta das 9h30 na Escola Estadual Primo Bitti e em uma escola particular que fica na mesma via, em Praia de Coqueiral, a 22 km do centro do município. Aracruz, onde o ataque aconteceu, fica a 85 km ao norte da capital.

Ataque a escolas em Aracruz deixa mortos e feridos — Foto: Arte/g1

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o assassino arrombou dois portões e invadiu, pelos fundos, a escola estadual. Com uma pistola, ele foi até a sala dos professores e atirou contra os educadores. Duas professoras morreram no local. Nenhum aluno foi baleado na primeira escola.

Na sequência, o atirador deixou a escola estadual em um carro e seguiu para a escola particular Centro Educacional Praia de Coqueiral. Na unidade, uma aluna foi morta. Após o segundo ataque, o assassino fugiu em um carro. Ele foiapreendido ainda na tardeapós o ataque.

Um dia após o atentado, a Polícia Civil informou que o criminosovai responder por ato infracional análogo a três homicídiose a 10 tentativas de homicídio qualificadas. Também no dia seguinte ao ataque, uma professora baleada na primeira escola, que estava internada, morreu.

No dia 4 de dezembro, oassassino foi sentenciado a cumprir até três anos de internação. O tempo é o limite máximo estabelecido como de medida socioeducativa para adolescentes pela lei.

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